"A identidade alicerça-se em capacidades e em valores, no que somos capazes de compreender do mundo e no significado que damos às nossas vidas". (Sônia R.R.Rodrigues)

segunda-feira, 9 de março de 2015

Inezita Barroso (1925 - 2015).


Morre em SP, aos 90 anos, a cantora Inezita Barroso
Ela apresentou o programa 'Viola, Minha
Viola', na TV Cultura, por mais de 30 anos.

A vida e a carreira de Inezita Barroso

Inezita Barroso na década de 50.
Foto: CEDOC TV Cultura.

Publicado originalmente no site tvcultura, em 03/03/15.

A vida e a carreira de Inezita Barroso.
Redação cmais+ | edição Rita Albuquerque.

Nascida no bairro da Barra Funda, em São Paulo, Inezita Barroso, ou Inez Magdalena Aranha de Lima, começou a cantar e estudar violão aos sete anos de idade. Aos 11, iniciou seu aprendizado de piano. Desde a infância, tomou gosto pelo universo rural. Seu pai, que tinha um importante cargo na Estrada de Ferro Sorocabana, incutiu na menina o gosto pelas viagens e proporcionou o contato com Raul Torres, com quem Inezita aprendeu várias melodias no violão.

A carreira profissional começou no início da década de 50, durante um recital no Teatro Santa Isabel, na capital pernambucana, o qual lhe rendeu um compromisso com a Rádio Clube do Recife. A paixão pela música de raiz fez com que a paulistana, por meio de seu trabalho, espalhasse esse rico pedaço do folclore brasileiro pelos cantos do país. O tema, inclusive, fez parte de cursos e palestras ministrados por ela ao longo dos mais de 60 anos de carreira dedicados ao rádio, ao cinema, ao teatro e à televisão.

Como atriz, atuou em sete filmes, recebendo o Prêmio Saci, um dos mais cobiçados da época, por sua atuação em Mulher de Verdade. É uma das cantoras mais premiadas do Brasil, sendo detentora de mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira. Foram 80 discos com mais de 900 músicas gravadas.

Inezita Barroso já se apresentou com violão e viola ao lado de orquestras regidas por Hervé Cordovil, Guerra-Peixe, Gabriel Migliori, Ciro Pereira, Radamés Gnattali, Rui Torneze, entre outros. Na televisão, sua carreira é longa. Começou junto com a inauguração da TV Record de São Paulo, sendo a primeira cantora contratada. Protagonizou programas ao vivo na TV Tupi, também de São Paulo, e em outras emissoras do Brasil, como TV Rio, Tupi do Rio de Janeiro, TV Itapuã da Bahia, TV Jornal do Comércio do Recife, TV Farroupilha de Porto Alegre, além de participações em canais do Pará, Amazonas, Maranhão, Minas Gerais etc.

Na TV Cultura, Inezita apresenta o Viola, Minha Viola há 35 anos. No contexto audiovisual, o programa é a principal fonte de registro da música caipira e sua evolução recente. Tornou-se um templo de resistência e de audiência. As mais de 1.500 gravações são capazes de registrar a enormidade de grupos folclóricos existentes no país: folias de reis, reisados, batuques, catiras, cururus e repentes.

Em 2013, a cantora paulistana inspirou a biografia Inezita Barroso – A História de Uma Brasileira, escrita pelo jornalista Arley Pereira. Um ano depois, falou sobre a sua vida ao também jornalista Carlos Eduardo Oliveira, autor do livro Inezita Barroso – Rainha da Música Caipira. Recentemente, aos 89 anos de idade, foi eleita pela Academia Paulista de Letras.
Já foi enredo de escolas de samba de São Paulo, como Oba-Oba de Barueri, Cominados do Sapopemba, Pérola Negra, Iracema Meu Grande Amor e Mocidade de Paulínia, além de desfilar como convidada da Gaviões da Fiel.

Texto e imagem reproduzidos do site: tvcultura.cmais.com.br/inezitabarroso

Assista ao documentário Inezita, a Voz e a Viola, produzido pelos alunos de comunicação da ECA-USP com apoio da TV Cultura,

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os Guardiões da Cultura Popular

Tião Paineiras de Tiradentes/MG.
Foto: Lidio Parente.

Os Guardiões da Cultura Popular.
Por Benita Prieto.

Falar em literatura oral no Brasil é falar de um país que muitas pessoas supõem que não mais existe. O processo de desenvolvimento fez com que várias manifestações culturais deixassem de ser entendidas como tal. Vejamos o caso do Carnaval, possivelmente a maior festa popular do mundo, nela os foliões entregam-se aos seus desejos genuínos e primitivos sem saber que refazem, talvez atavicamente, o mesmo que fizeram todas as gerações passadas.

Especificamente com relação à literatura oral, andamos nos afastando também por acreditar que tudo são “causos”, lendas, superstições. Mas se temos a oportunidade de sentar ao redor de uma fogueira, toda essa ancestralidade nos penetra e logo passamos a contar as histórias ouvidas dos nossos avós.

A literatura oral está conotada com o passado de gerações e famílias. Nosso país tem uma miscigenação enorme e que varia de acordo com a região brasileira, pois somos a mistura de povos europeus, africanos, indígenas e asiáticos. Esse caldeirão de culturas possibilita a existência de muitas comunidades narrativas. Se tomarmos como exemplo uma favela do Rio de Janeiro sabemos que ali podemos ter histórias de várias partes do Brasil, devido à migração interna na busca de melhores condições de vida. Por isso, é fundamental fomentar nos jovens o desejo de preservar as histórias que são particulares da comunidade narrativa a que pertencem. Eles devem ser estimulados para que tragam as histórias que conhecem e passem a contá-las em todos os espaços possíveis. E aí podemos incluir a tv, o rádio, a internet, o cinema. Os jovens são sem dúvida o nosso maior investimento para a continuidade desse elo, neles devemos apostar.

Mas é preciso ter técnica para fazer a recolha dos contos. É importante não interferir na hora da narração, coletar o conto no local onde normalmente é contato e não acreditar na memória ou na própria escrita, gravando tudo para a futura transcrição. Existem muitos livros que mostram textos recolhidos onde em primeiro lugar está o texto tal qual foi dito pelo contador é a seguir vêm uma tradução ou versão feita pelo pesquisador. Essa é uma boa maneira de registro. Claro que o contador popular pode sofrer interferência da platéia, seguindo outros rumos na hora da narração, mas sempre haverá uma estrutura mínima respeitada por ele. Essa estrutura, juntamente com a dicção que foi preservada, será a nossa fonte de estudo e a nossa matriz.

Pena que a escola, no nosso país, normalmente é muito preconceituosa com todas as manifestações populares. Podemos incluir nesse pensamento desde a escola elementar até a universidade. A literatura oral não é valorizada ou então é minimizada a mais simples estrutura possível. Imaginem se podemos dizer que o lobisomem possa representar, num país continental como o Brasil, todos os personagens do folclore que são peludos e comem gente. É uma redução apenas para dizer que o folclore está sendo ensinado na escola e ainda num determinado mês do ano, o de agosto, que tem no dia 24 a sua comemoração.. Como se nos outros dias não usássemos os ensinamentos recebidos das gerações que nos precederam. O problema é um total desconhecimento da importância do tema.

É bom lembrar que existe um diálogo entre a literatura oral e a literatura escrita. Os grandes escritores do mundo bebem de suas fontes naturais, constroem releituras, alargam visões. E no Brasil tivemos alguns autores/pesquisadores que contribuíram de forma decisiva nesse diálogo. Temos várias gerações criadas com a literatura mágica e essencialmente brasileira de Monteiro Lobato, o criador do sítio do pica-pau amarelo. Temos também Mário de Andrade e Luís da Câmara Cascudo, cada qual do seu jeito, valorizando os saberes do povo para construir no nosso imaginário a força da narrativa. O ideal é nunca fechar as portas do coração, nunca esquecer a aldeia de onde viemos.

Já que não dá para fazer uma divisão entre literatura oral e literatura escrita os contadores de histórias urbanos podem aproximar esses dois mundos, colocando a literatura escrita ao redor de uma fogueira mítica e valorizando a literatura oral dando-lhe o status de saber.

O escritor João Guimarães Rosa, questionado numa entrevista ao contar sobre seu processo de criação, revela: “Os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Está no sangue narrar histórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e as lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo à gente se habitua, e narra estórias que correm por nossas veias e penetram em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens. Assim, não é de estranhar que a gente comece desde muito jovem”.

Tudo o que foi descrito anteriormente só vem reforçar a importância do trabalho dos contadores de histórias para a preservação das culturas populares e a aproximação da população à leitura.

Mas como não há no Brasil uma formação específica na arte de contar histórias o interessado tem que ser autodidata.   Precisa ler muito, fazer muitas oficinas, ver muitos contadores, descobrir o seu estilo de contar, o gênero de história que lhe dá prazer. Evitar copiar o repertório que vê, buscar novas fontes, trazer outros olhares. E principalmente usar os seus próprios recursos. Cada contador tem suas sutilezas na hora de narrar. Por isso a mesma história pode ser contada de várias maneiras e todas serão belas desde que haja a entrega de quem conta.

Somos contadores na essência, estamos durante toda a vida construindo histórias. A narrativa faz parte do dia a dia. Um olhar para dentro pode ser o estopim dessa arte em cada um de nós.

Porém o mais importante é entender que a literatura oral é para ser brincada, dividida, compartilhada. Sejamos, portanto, solidários na vida e nos contos. De mãos dadas vamos atravessar o caminho onde nossas histórias se cruzam, se completam e se constroem.

Texto e foto reproduzidos do blog: falandodeleitura.blogspot

terça-feira, 13 de maio de 2014

Milagre Santa Luzia - Episódio com Targino Gondim




Conhecido nacional e internacionalmente por ser o compositor de Esperando na Janela, que lhe rendeu um Grammy e fez muito sucesso na voz de Gilberto Gil, Targino Gondim tem outras belíssimas composições de forró, bebendo sempre na fonte dos mestres Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Nascido em Salgueiro-PE, a apenas 100 KM de Exu, a cidade do Rei do Baião, Targino teve aulas de sanfona com o irmão dele, Eugênio Gonzaga. Começou tocando as músicas de Gonzagão, mas logo começou a compor e sua carreira deslanchou. O "sanfoneiro de ouro", como é conhecido, hoje faz shows por todo o Brasil e no exterior, divulgando com talento e responsabilidade o autêntico forró pé de serra.

Documentário - "Milagre de Santa Luzia" (Completo)



Flávio José - Eu sou O Forró

Targino Gondim - Nem Se Despediu De Mim - Forró Pra Todo Lado